quinta-feira, 8 de julho de 2010

A 13 km de Ibotirama, 29/10/2009 – 17h12

Sul: 12º 14' 55” – Oeste: 43º 16' 01” – Altitude: 441 metros

Remei cerca de 50 km até as 15 horas, mas não deu para chegar a Ibotirama; fui pego pela tempestade e quase não deu tempo de me proteger. O temporal se avistava no horizonte e vinha rápido; era uma “parede” escura que chegava até o rio, os trovões e relâmpagos se sucedendo; dava para calcular a distância pelo tempo decorrido entre o faiscar dos relâmpagos e o estrondo dos trovões.

À distância percebi uma areia branca em uma ilha grande, bem no meio do rio. Remei rápido e intensamente! Quando cheguei à ilha, mal dava tempo de montar a barraca, e tinha que ser no alto de uma pequena elevação, longe da margem, para fugir do rio que, certamente, subiria mais um pouco, como vem ocorrendo todos os dias. É o prenúncio da temporada de chuvas.

Carreguei a canoa e as tralhas por uns 150 metros. Acho que nunca eu havia montado acampamento tão depressa. E foi bem a tempo! Um vendaval parecia querer levar tudo pelos ares, mas eu havia reforçado os specs em todos os cantos da barraca e amarrado as sacolas nas laterais, segurando o pano, o que foi providencial.

Ainda tive tempo de tirar umas fotos, já sob chuva fraca e um vento muito forte, só para documentar o cenário!

Meu atraso em Bom Jesus da Lapa foi crítico para o projeto. Mesmo tendo a margem de tempo devida ao cancelamento da visita ao parque de Peruaçu, todo cronograma fora afetado. Além disso, tantas visitas a comunidades não eram previstas e isso também agravou minha situação. Agora preciso agilizar minhas paradas para chegar a Xique-Xique antes de quinta-feira, sob o risco de ficar uma semana à espera de uma embarcação.

Na verdade, todo projeto foi comprometido com a parada de três meses em Três Marias. Com isso perdi a melhor época para navegação pelo São Francisco e todo planejamento foi prejudicado pela mudança de época. Agora estou no início da temporada de chuvas, que se estende até fevereiro ou março, e vou conviver diariamente com essa situação. Paciência...

São 17h30 e a chuva está mais branda, mas não vou me arriscar a enfrentar o rio à noite. Amanhã, se amanhecer com bom tempo, sigo em direção a Morpará. Não conseguirei chegar lá em um dia, pois são quase 100 km, e terei que parar em Boa Vista do Pixaim, uma comunidade quilombola. Resolvi voltar a visitar as comunidades... não faz sentido ceder às ameaças, comprometendo os objetivos da expedição. Além disso, se eles tivessem a intenção de me matar, já teriam feito isso em qualquer uma das duas oportunidades que tiveram. Queriam apenas me intimidar, e naquela região!

Dia 31 de outubro devo chegar a Morpará, indo para Barra no dia seguinte, onde pretendo me encontrar com Frei Luiz Cappio. Meu cronograma não está tão comprometido como eu pensava... é só o tempo colaborar e me dar algumas horas a mais por dia, para remar.

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