quinta-feira, 8 de julho de 2010

A caminho de Curaçá, 18/11/2009 – 17h44

Sul: 09º 08' 36” – Oeste: 40º 17' 47” – Altitude: 348 metros

Estou a cerca de 50 km de Curaçá e devo ter percorrido mais de 40 km desde Petrolina, de onde saí hoje às 08h00. Embora o hotel fosse confortável e tivesse um excelente café da manhã, ficou muito caro para mim: R$300,00 por cinco noites.

Esse trecho do rio é muito bonito e evidencia a grande disparidade entre os estados da Bahia e de Pernambuco, ao menos às margens do São Francisco. Além do padrão de vida melhor, fruto da política desenvolvimentista desencadeada pela irrigação e pelo plantio massivo de frutas tropicais e da produção de vinho de alta qualidade, percebe-se melhor administração dos recursos públicos: Petrolina é hoje bem mais desenvolvida que Juazeiro, do outro lado da ponte. Há vinte anos essas cidades se equiparavam.

Ontem fui a Sobradinho. É um percurso de quase uma hora por terras da caatinga onde se percebe o descaso das autoridades e da população. Evidência disso é o lixão a céu aberto, de ambos os lados da estrada, a meio caminho de Juazeiro.

cidade fica a cinco quilômetros da barragem, que percorri a pé, a uma temperatura insuportável! E me esqueci de levar água!

Conheci a eclusa, logo à entrada, de uma altura impressionante! Pareceu-me ter a altura de um edifício de dez andares! Estava inativa pois, praticamente, não existe mais transporte fluvial entre Petrolina / Juazeiro e as demais cidades a montante da barragem de Sobradinho. Apenas uma embarcação, a Jurity, percorre esse trecho até Januária, passando pela eclusa uma vez por mês. Considerando-se o custo da obra, sua operação e manutenção, trata-se de um enorme desperdício!

Fui recebido pelo engenheiro Marcelo, amigo de Avelar, que me mostrou as instalações e pude captar imagens magníficas de todo complexo, que tem capacidade nominal de produção de 1 GW de energia. Dentro das instalações há poucos trabalhadores.

Marcelo me levou de volta à cidade, onde fotografei a capela em que frei Luiz Cappio jejuou por mais de 20 dias em 2008. Depois almocei um bode assado, carne gordurosa e fibrosa, mas com excelente sabor. Em seguida, retornei a Juazeiro e Petrolina.

rio São Francisco apresenta uma coloração verde esmeralda, tanto no lago de Sobradinho como depois, a jusante, pelo menos até onde cheguei hoje. Lembra-me as águas de Angra dos Reis...

Há muitas pedras no leito do rio, a maioria submersa e à flor da água, representando um grande risco à navegação. É preciso estar muito atento para não bater em uma delas, quase invisíveis.

Às 16h00 encontrei um excelente porto sob árvores frondosas e um terreno plano onde montei acampamento e passarei a noite. Minha tendinite está pior a cada dia. Mesmo assim, aproveitei para dar um jeito nas tralhas e revisar os remendos do barco, que tem apresentado infiltrações de água.

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