quinta-feira, 8 de julho de 2010

A caminho de Itacarambi, 05/10/2009 – 06h00

Não fiz anotações no último acampamento, pela manhã... acordei cedo e me surpreendi com a chegada do “dono da ilha”! Isso mesmo! O pescador, dono do quiosque, chegou de madrugada e percebeu que tinha um vizinho acampado ali. Não teve dúvidas, e escreveu na areia, bem próximo de minha barraca: “TEM DONO!”.

Ao acordar, ironizei: “bom dia! Estou abusando de sua hospitalidade?”. O homem ficou sem graça, esboçou um “sorriso amarelo” e, quase murmurando, disse: “não tem problema”... e completou “é que tem muita gente que vem roubar minhas abóboras!”

Tive pena dele, puxei conversa para acabar com o constrangimento, falei de minha viagem, e ele me disse que morava em uma cidade próxima com a família, onde tinha uma pequena lavoura e algumas cabeças de gado... não era tão pobre assim... cultivava abóboras nessa ilha para fazer ração para seus animais... reclamou que o fazendeiro ao lado soltava o gado para pastar em “sua” ilha. Na última temporada de seca perdera toda sua plantação de milho... já não adiantava mesmo, porque a terra, na ilha, já estava cansada e não produzia o suficiente para justificar o plantio...

A terra ficou fraca e agora só dava abóbora mesmo...”. E, como de costume, ele construíra o quiosque de palha, mas ninguém mexia, não tinha problema! Aproveitei a confiança adquirida e tirei umas fotos dele, de cócoras, com seu barco de madeira refletido nas águas do rio, com uma suave luz da manhã completando a aquarela. Nós nos despedimos e ele foi embora, satisfeito. Pouco depois eu também partia.

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