quinta-feira, 8 de julho de 2010

De volta ao rio...

1º de Junho de 2.009

Hoje, meu primeiro dia de viagem, remei pouco... apenas alguns quilômetros, conhecendo o rio e seus segredos. Às 15h30 encontrei uma pequena praia e minha canoa se deslocou naturalmente em sua direção, ancorando na areia.


Foi um trecho pequeno, mas repleto de corredeiras fáceis, que me introduziram nesse novo ambiente de navegação, e exigiram habilidades que eu ainda não desenvolvera. Felizmente, consegui superar essas dificuldades iniciais, aprendi algumas técnicas de abordagem de corredeiras e agora estou aqui, no meio do rio, cercado de matas e do ruído das águas, dos insetos e das aves, abundantes nessa região, selvagem e bela.

Uma sensação, ao mesmo tempo, estranha e empolgante: estou aqui, vivendo com meus próprios recursos, resolvendo meus problemas sem a ajuda de ninguém, e disponível para meditar sobre a vida, no que restam de meus dias, e o que farei deles.


Sinto-me ainda capaz de desenvolver projetos, realizar sonhos, mas, ao mesmo tempo, relegado ao esquecimento pela sociedade que me quis assim, aposentado precocemente.


Serão meses de isolamento e solidão, questionamento e avaliação das razões do existir. Terei, assim, que conviver comigo por muito tempo. O que me acontecerá depois?

Lá fora, a chuva cai, mansa, suave, quase silenciosa... meu universo se encolheu para essa pequena barraca! Minha canoa está ancorada na areia, e tenho receio de que a chuva aumente e me obrigue a mudar tudo de lugar, se o rio crescer de madrugada.

Minha primeira imprudência: preciso repensar minhas atitudes daqui para frente. Na Natureza, nossos erros não são perdoados e, geralmente, as conseqüências costumam ser trágicas. E se eu perdesse a canoa e toda minha carga? Seria o fim da expedição.

Espero que as lembranças e a companhia de meu pai me ajudem a suportar todo peso dessa expedição e me dê forças, coragem e determinação para seguir até o fim.

Que a Natureza também seja condescendente comigo, e me deixe aprender aos poucos suas lições. Isso não se aprende nas escolas, nos treinamentos, em salas de aula.

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