quinta-feira, 8 de julho de 2010

Local provável: cachoeira de “Lion”, 2 de junho de 2009

Sul: 20° 21´ – Oeste: 46° 19´ – Altitude: 758 metros

Esse nome é presumido; ouvi-o de um pescador, não compreendi a pronúncia e não consta dos mapas da região. Como não encontrei um nome semelhante, assumi este.É curioso como não existem informações detalhadas de um rio tão importante...

Dia surpreendente hoje! O rio serpenteia durante todo percurso e a cada curva, uma pequena corredeira! Paisagens fantásticas, principalmente nas imediações de Vargem Bonita. A cidade não chega à margem do rio. A Natureza, aparentemente preservada, muita mata ciliar, muitos peixes, água transparente, grande variedade de pássaros: gaviões, garças brancas, garças cinzentas, cabeça seca, tucanos, dezenas de outras espécies, cujos nomes desconheço...


Um casal de patos mergulhões esteve presente em meu caminho, à frente, durante todo dia, mas não se deixou fotografar... bastava eu me aproximar e eles levantavam voo e pousavam adiante, parece até de propósito, à minha espera.

Algumas corredeiras foram difíceis para mim, pois, na curva, o rio adquire grande velocidade e, não importa o ângulo de tomada de curva, a canoa é lançada contra a margem oposta, violentamente!


Muitas vezes consegui evitar o choque, mas em outras foi impossível. Às vezes eu era lançado contra árvores tombadas sobre a água, obrigando-me a me defender com o remo. Mesmo assim, eu chegava a me enroscar nos galhos.

Agora estou pernoitando sobre umas pedras, à margem do rio, e próximo à cachoeira de “Lion” (?). Eles, os ribeirinhos, chamam essas corredeiras maiores de “cachoeiras”, com certa razão. Esta aqui parece um obstáculo intransponível, ao menos para mim. O barulho das águas é muito forte e formam-se buracos na superfície, causados pelas pedras no fundo do rio. Tive que parar em uma pequena praia e ancorar o barco nas pedras.

Para conseguir chegar próximo às corredeiras foi preciso usar roupa de neoprene, pois as águas estavam frias do inverno. Não quis me arriscar com o barco antes de conhecer as possibilidades de passagem. Mesmo assim tive dificuldade para voltar, tão forte era a correnteza. Passei para a outra margem e não encontrei saída.

Amanhã levarei uma corda ao outro lado para poder puxar o barco sem me arriscar a ser tragado pela corredeira. Existe uma fazenda de gado na encosta do morro e pretendo explorar as possibilidades de portagem por essa pradaria desmatada.

Terei que desmontar toda carga pela primeira vez, e transportá-la, junto com a canoa, até depois da corredeira. Ainda não sei o grau de dificuldade dessa alternativa, mas, com certeza, consumirei toda manhã nessa tarefa.

Apesar do frio, este local é excelente para pernoite. O céu está estrelado, vejo claramente a Via Láctea, e só ouço o barulho da cachoeira, dos pássaros e dos insetos.

Hoje jantei um macarrão com brócolis ao pesto. Acrescentei tomate seco, pimenta, gengibre e um pouco de azeite de oliva. Uma delícia! Como estava faminto, comi as duas porções do saquinho e tomei uma limonada em pó.

Ontem minha música se calou... a bateria do ipod só durou umas poucas horas; ficou evidente que não terei música no caminho, pois a placa de bateria solar se mostrou ineficiente para carregar qualquer tipo de equipamento eletrônico.

Bem, vou tentar dormir e guardar a ansiedade para amanhã.

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