quinta-feira, 8 de julho de 2010

Na trilha da Canastra, 30 de maio de 2009

Sul: 20° 14´ – Oeste: 46° 26´ – Altitude: 1.459 metros

Dormimos muito pouco; pela manhã, tomamos um café reforçado e seguimos para a nascente do rio São Francisco. Na portaria do parque, para nossa surpresa, não havia nenhuma autorização para realizarmos a trilha, embora eu tivesse solicitado e obtido a aprovação do diretor do parque com bastante antecedência. Depois de mais outra negociação, o funcionário finalmente nos liberou para a caminhada.


Chegando à nascente, depois das fotografias de praxe, demos início à trilha. Minha filha levaria o jeep com a canoa até a parte alta da Casca Danta1 e nos aguardaria por volta das 17 horas. Então seguiríamos até a parte baixa da cachoeira e do parque da serra da Canastra, e eles retornariam à pousada.


No dia seguinte ela iria nos buscar na portaria de baixo do parque, para procurarmos um local de onde seria possível iniciar a navegação, próximo a Vargem Bonita. Feitos os entendimentos logísticos da operação, iniciamos a caminhada.

No entanto, para nossa surpresa, não havia trilha. O terreno era coberto de vegetação seca e espinhosa. Andamos por horas ao longo das margens do riacho, quando era possível, ou contornávamos os obstáculos pelas colinas, ultrapassando seus afluentes, procurando os caminhos possíveis naquela situação.

Muitas vezes era necessário seguir por capinzais altos, subindo e descendo morros, pela falta de alternativas. Até mesmo um trecho de capim-gordura tivemos que atravessar. Nossas roupas ficaram cobertas de um líquido pegajoso e cheiro desagradável, difícil de retirar; não havia caminhos alternativos.

Mas a paisagem era magnífica, com pequenas cachoeiras cristalinas, muita vegetação típica do cerrado, patos mergulhões nas pequenas lagoas formadas pelo rio; não vimos nenhum tamanduá-bandeira, como esperávamos, assim como nenhum outro animal selvagem dos cerrados: carcarás, tatus-canastra, lobos-guará, veados campeiros... nada, com exceção de uma pequena cobra coral, aninhada sob meu pé...

Depois de longa caminhada constatamos que a trilha era mais extensa do que imaginávamos. Andamos por horas às margens do rio. Às quatro da tarde, como é de hábito entre os montanhistas, começamos a procurar um local para pernoite.

Chegamos a um remanso com uma pequena cascata e muita areia branca e fina, que nos pareceu adequado. Não levávamos barraca, pois nos disseram que seria fácil chegarmos ao nosso destino (o alojamento do parque na base da cachoeira) antes do anoitecer.

Felizmente o tempo estava bom e não havia previsão de chuvas. Montamos nosso bivaque², estendendo o saco de dormir na areia, da melhor maneira possível. Sempre levo sementes e castanhas em minhas caminhadas, assim como cobertor térmico, que usei como isolante, sob o saco de dormir. Não estava com fome e as castanhas me satisfizeram.

Paulo e Heitor prepararam seu jantar (macarrão) e conversamos por algumas horas antes de adormecer. Fazia muito frio e nos agasalhamos como pudemos. Estávamos frustrados por não cumprir nosso objetivo: chegar ao alojamento no primeiro dia... mesmo assim, adormecemos.

¹ Casca Danta – maior cachoeira em queda livre do rio São Francisco. Localizada em São José do Barreiro (MG), distrito que fica a 38 quilômetros de São Roque de Minas, é formada por 186 metros de queda d'água e está emoldurada em uma parede de rocha de cerda de 340 metros de altura (Wikipédia).

² Bivaque - "Bivouac" em francês - designa um acampamento rudimentar para passar a noite na natureza, e pode ser feito sobre uma tenda de campismo ou ao ar livre num saco de dormir ou rede (Wikipédia).

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