quinta-feira, 8 de julho de 2010

Na trilha da Canastra, 31 de maio de 2009

Sul: 200 18´ – Oeste: 460 31´ – Altitude: 1.186 metros

Saímos às 07h30 e caminhamos até as 13h30, quando alcançamos a base da Casca Danta e nos dirigimos a um restaurante, logo à saída do parque. Minha filha, preocupada com nosso atraso e com a falta de notícias, nos esperava.

Almoçamos aquela comidinha gostosa dos mineiros, feita em fogão a lenha, e seguimos para a pousada, passando por lugares onde seria possível colocar minha canoa na água. Naquele dia nada encontramos, mas eu sabia que poderia sair próximo a Vargem Bonita, a poucos quilômetros dali.

A etapa da Serra da Canastra havia sido concluída. Fizemos a trilha da nascente e pudemos conhecer um pouco da diversidade da região do cerrado, embora eu já tivesse estado por lá muitas vezes, com outros olhos e outros interesses.

Ficou, para mim, a percepção de que, nos limites do Parque Nacional, o rio São Francisco estava bem protegido e bem cuidado. O acesso às suas águas era restrito e as condições do terreno e da vida em seu entorno permaneciam nas mãos da Natureza. No entanto, o entorno do Parque, sua zona de amortecimento, ainda causa preocupações.

Agradeci aos funcionários do Parque pela atenção e cuidados, e também por me concederem a oportunidade de conviver intimamente com o São Francisco em sua fase de nascimento e desenvolvimento. Que seus visitantes saibam respeitá-lo!

De lá nada levei além das fotografias e recordações, e lá não deixei sequer minhas pegadas, mas ficou minha energia, que se dissipou nos ares puros da Canastra, as emoções que senti, e o calor de minh'alma enriquecida pelas belezas naturais desse lugar. Espero poder retornar mais vezes a esse paraíso natural.

Meditei bastante sobre as funções conscientizadoras dos parques e reservas naturais: sem sua existência, nossa sociedade jamais poderia compreender o que ainda existe oculto em nossas montanhas, matas, rios, oceanos, cavernas, savanas... a evolução da consciência ecológica brasileira depende da preservação desses santuários da vida selvagem; por outro lado, sua existência costuma servir como justificativa para se acabar com todo restante de natureza preservada; “afinal, não é para isso que se criaram os parques e reservas naturais?” Precisamos ampliar urgentemente nossas reservas e estimular pessoas a criar suas reservas particulares de preservação natural (RPPN´s).

Eu jamais compreenderei a mente perversa e distorcida dos destruidores da Natureza. Não existe lógica em seu raciocínio! São inimigos da beleza, da vida, de tudo o que pode ser considerado um refúgio de vida selvagem. Por eles, o mundo seria um imenso campo semeado de monoculturas... pura monotonia e ausência total da riqueza original do mundo, sem a interferência humana!

Os ambientalistas são seus inimigos declarados, não porque querem acabar com a agricultura, ou com a pecuária, ou com qualquer outra forma necessária de produção de alimentos, mas porque não existem limites para a ganância humana! Precisamos mudar essa mentalidade torpe e obter apoio para conscientizar a população do mundo da necessidade imperativa dos ambientes naturais, não apenas para satisfazer nossos ideais de beleza, mas como fonte insubstituível de vida, uma questão de sobrevivência!

Espero que meu trabalho contribua também para isso...

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