quinta-feira, 8 de julho de 2010

Natureza selvagem, 8 de junho de 2009 – 19h15

Intensas emoções, monótonas belezas... Complexos universos, paisagens imutáveis... Contemplativo campo onde as batalhas nunca terminam; não há vencidos ou vencedores, não há heróis nem coadjuvantes...

Uma garça é qualquer garça... milhares de árvores se confundem em nossa percepção limitada da realidade... tudo igualmente verde; tudo igualmente difuso...

Aqueles patos mergulhões teriam sido sempre os mesmos durante toda viagem? Não importa... A água que flui incessantemente no mesmo lugar seria a mesma água todos os dias, todas as horas, o tempo todo? Aquela que chega à foz, de onde veio, afinal?

Em nossos mundos individuais tudo tem nome, endereço, origem... e nos diferenciamos pelo olhar, pela voz, pelo movimento, pelas palavras... até mesmo pelas nossas roupas!

Seríamos, deveras, diferentes? Mudamos constantemente durante a vida, e aquele que nasceu, no momento seguinte, já não mais existe... no entanto, na essência, permanecemos os mesmos...

Quando partir daqui, não serei eu mesmo e, no entanto, aqui não deixarei meus rastros. E nada levarei, senão as recordações, as imagens registradas na memória... ou nas máquinas digitais... talvez algum pensamento ou emoção escape de mim e corra para a selva, sem que eu possa perceber. E passe, então, a viver como os outros animais...

Sentirão eles as minhas emoções?

Talvez alguém, daqui a muitos anos, ao passar por aqui, encontre os meus pensamentos, mas eles também não serão os mesmos, pois se tornaram bichos, embrenharam-se nas matas, circularam pelas mentes de outros seres e também se transformaram...

Fará algum sentido, então, esse antigo pensamento? Talvez não... pode ser até que não haja, sequer os animais... as árvores terão caído ou sido derrubadas... talvez o rio esteja seco... casas, pessoas, concreto, asfalto, poluição talvez estejam aqui, em seu lugar...

E aquele pensamento, aqueles sentimentos anacrônicos se perderão para sempre, assim como minhas recordações e as lembranças que porventura tenham de mim... e eu terei sido levado pelo tempo, pelo vento... assim como meus pensamentos...

E minhas palavras se perderão no deserto que ficou por aqui.

Infinita e monótona beleza, é por isso que não resistirás! Não há utilidade na Beleza! Beleza não se produz... Beleza não se consome... ela apenas está aí, enquanto a querem. Não vale a pena lutar por preservar a Beleza...

Por isso, quando te vi, quando contemplei tua vastidão infinita, quedei-me a teus pés e só fiz chorar... haverá, um dia, um mundo sem luz, sem cor, sem pássaros e seu cantar, sem as águas cristalinas de uma cascata, jorrando, sem cessar, o seu frescor e pureza...

Nesse mundo eu não quero estar...

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