quinta-feira, 8 de julho de 2010

No Reino da Assunção, Reina TRUKÁ

Sou a cabocla Marcina / Não tenho o que procurar”
Apenas eu vim dizer / Que a nossa aldeia é Turká”
Vala-me Nossa Senhora / Por Deus queira nos valer”
Depois que os índios Turká / Essa batalha vencer”
Eu fui um Encanto / Lá vi uma mesa galante”
Na cabeceira da mesa / Lá tava o mestre Turká”
O capitão Bernardino / Com seu cartãozinho na mão”
Dando sua declaração / Eia eia reina eia / Eia eia reina oa”
Eu andava pelo chão / Rodando o chão desse mundo”
Eu me acostei nos antigos / Sombra de Dom Pedro Segundo”
Eia eia reina eia / Eia eia reina oa”
Até logo ó meus índios / Eu já vou me arretirar”
Vocês já me encomendem a Deus / Até lá no juremá”
Todo caboclo é poeta / Os índios é lugiador”
Sei que os índios agora / É o encanto de amor”
Eia eia reina eia / Eia eia reina oa”
Adeus, adeus ô meus índios / Eu já vou me arretirar”
Vocês já me encomendem a Deus / Até lá no beira-mar”
Ei naei naei naoa / Nae enaoa”

Esse toante veio para confirmar o nome da aldeia que era Turká. Com o tempo, as pessoas trocavam as letras e os funcionários do governo escreviam como queriam, até que se transformou em Truká.



(texto extraído do livro “No Reino da Assunção, Reina TRUKÁ”; organização das Professoras Truká – OPIT Organização de Professores Indígenas Truká.)

Nenhum comentário: