quinta-feira, 8 de julho de 2010

Novas paisagens, 12 de junho de 2009 – 06h30

Ontem, na confluência do São Francisco com o Samburá, se encerrou a primeira fase desta viagem e também da geografia do Velho Chico. Da nascente até a cachoeira da Casca Danta poderíamos dizer que o São Francisco nascia e se formava como um rio de planalto, a cerca de 1200 metros de altitude e em vegetação típica de cerrado. Correndo em área de preservação (parque Nacional), está protegido de agressões que ocorrem no restante de seu percurso, seja devido à convivência com fazendas que não preservam suas matas ciliares, seja devido a grandes projetos de irrigação, nem sempre construídos com base em estudos de impacto ambiental e com ações de compensação ambiental por danos causados ao seu ecossistema, seja ainda em imensos territórios alagados por grandes hidrelétricas, construídas sem nenhuma preocupação com os ciclos hidrológicos naturais do rio e de seus afluentes.


Do pé da Casca Danta até o encontro com o Samburá, o “Francisquinho” permanece com um volume de água pequeno, apesar dos muitos riachos que o alimentam e, gradualmente, entregam suas águas para a formação da grande Bacia do São Francisco. É a fase de sua criação.


Serpenteando pelos vales das encostas dos morros, é um rio acidentado, agitado e repleto de pequenas corredeiras e belíssimas cascatas, às vezes cercado de densa vegetação de mata nativa, e uma rica fauna, composta por capivaras, onças pintadas, suçuaranas, tucanos, garças, gaviões e uma infinidade de espécies de pássaros, além da grande quantidade e variedade de peixes que habitam suas águas límpidas, e de outros animais que nem pude perceber. Nesse percurso já se descortinam os problemas ambientais que irão se agravar ao longo do extenso rio, minando, gradualmente, suas forças, e evidenciando a morte lenta do rio.

Daqui em diante o volume das águas se duplica e corre lentamente até a represa de Três Marias. Sua água barrenta já não mostra os cascalhos ao fundo, nem o festival de peixes saltando para fora de suas águas, antes cristalinas. A proximidade de fazendas e indústrias começa a afetar o rio e comprometer a qualidade de suas águas, contaminadas pelos esgotos urbanos e agrotóxicos das grandes lavouras em suas margens.

Ontem, durante o dia e em parte da noite choveu fraco. Hoje tomarei meu café da manhã aqui no Beto, onde pernoitei, para prosseguir minha jornada pelo grande e Velho Chico. Espero prosseguir minha jornada com novas motivações e esperanças de encontrar novas soluções para o rio.

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