quinta-feira, 8 de julho de 2010

Perdas e danos, 4 de junho de 2009 – 08h00


Que noite gelada!

Dormindo sob uma barraca encharcada, sem o conforto do saco de dormir, sem qualquer coberta, o frio foi insuportável! Meus pés congelaram e eu tive a sensação de estar em uma montanha nevada... lembrei-me de filmes de alpinistas e imaginei meus dedos escurecidos pela gangrena, depois tendo que cortá-los... hipotermia, edema pulmonar, edema cerebral... O frio era tão intenso que abri um de meus cobertores térmicos da sacola de emergência (era uma emergência!), tirei toda minha roupa molhada e me enrolei todo nele. Acho que não suportaria passar a noite de outro modo.

Hoje, como ontem, amanheceu um belo dia ensolarado, mas ainda permaneço na sombra, atrás da montanha e da mata densa que ocultam os raios do sol. Preciso deles para me reaquecer e reanimar, e enfrentar o grande desafio de transpor a cachoeira. Retirei a cobertura da barraca para poder abrir a porta sem molhar ainda mais tudo aqui dentro.

Hoje pretendo sacrificar algumas cargas para reduzir o volume dos sacos estanques, pois nenhum deles isolou seu conteúdo das águas do rio. Percebo que são necessárias muitas voltas no fechamento dos sacos para garantir a impermeabilização. Mais de sete! Mas, fazendo assim, não caberia toda carga.

Ontem, ao cair na água, perdi meu melhor canivete; o bolso do colete salva-vidas deve ter se enroscado em algum lugar e o fecho de segurança se abriu. Paciência! Agora só tenho um canivete e uma pequena faca. Preciso cuidar bem deles! Ainda estou só no começo... No primeiro acampamento também perdi o material de limpeza de cozinha, eu acho. Não consigo encontrá-los! Eram 5 pedras de sabão de coco, um detergente e um álcool gel.

E aí vem o sol, finalmente! Agora posso desmontar o acampamento e colocar tudo para secar, enquanto ponho em ordem o barco e tomo meu café da manhã sossegado.

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