quinta-feira, 8 de julho de 2010

Primeiro contratempo, 03/06/2009 – 06h30

A noite foi muito fria! Não consigo saber a temperatura, pois não trouxe termômetro, mas a umidade do ar beirava os 100%. Uma densa e gelada neblina ainda cobre o rio e condensa-se em tudo ao seu redor.


A barraca está molhada como se tivesse chovido durante toda noite. A condensação da umidade interna da barraca se concentrou na cobertura interna e molhou até o saco de dormir. Parece que a umidade penetra em tudo!

Não tive nenhuma idéia “brilhante” de como sair daqui, mas vou esperar o sol nascer e a neblina desaparecer, pois minhas mãos e meus pés estão congelados!

Tentarei subir pela margem esquerda do rio, onde estou acampado, para evitar atravessar novamente a nado, e transportar a bagagem e o barco pela trilha do gado, que deve ser lamacenta e coberta de estrume, mas pode ser o meu caminho de saída.

Os peixes são tantos que saltam continuamente fora d'água. Devem medir, em média, uns 40 cm. Eu ainda não tentei pescá-los... sinto pena deles. Nunca serei um bom pescador. O sol já nasceu... vejo sua luz, mas não o enxergo sob a densa neblina da manhã.

Nas pedras, onde passei a noite, o rio é tão estreito que daria para arremessar a corda para o outro lado. Arrependo-me de não ter trazido uma âncora. Agora ela seria útil para laçar uma árvore e puxar o barco para o outro lado sem ter que nadar nessas águas geladas. Não sei como consegui nadar ontem, sem ter uma cãibra.

A neblina já começou a se dissipar com o calor dos raios do sol. E a vida também se manifesta no canto dos pássaros, preguiçosos como eu, a gorjear nas matas vizinhas.

O barulho da pequena cachoeira é contínuo e forte; dormi um sono intermitente, embora revigorante. Parece que não preciso de muitas horas de sono para me recuperar, pois o silêncio, a escuridão e o ambiente são tranquilizadores!

Só imagino o que teria acontecido se eu não tivesse conseguido evitar a cachoeira... provavelmente teria acionado o botão de pânico do rastreador que ganhei de presente de minhas filhas, o melhor equipamento que poderia ter trazido para minha segurança.

Com ele, posso tranquilizá-las todas as noites, informando a minha localização exata, graças a um sistema de GPS. Espero não ter que usá-lo para pedir ajuda.

O sol já tinge de dourado a copa das árvores e a neblina desapareceu, como por encanto. Porém, ainda continua muito frio, e sair da barraca e do saco de dormir é desanimador...

Hoje vou preparar um leite quente com chocolate para me recuperar da noite gelada. E beber na caneca com a foto de meu netinho Nícolas... que saudade dessa criaturinha que transformou a minha vida! Que alegria vê-lo sorrir, tomá-lo em meus braços, cuidar, passear, conversar com ele, ainda que não compreenda sua linguagem...

Ainda teremos muitas alegrias com esse garotinho tão bem-vindo às nossas vidas! Jamais imaginei que a essa altura de minha vida pudesse ter tamanha felicidade.

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