quinta-feira, 8 de julho de 2010

Proximidades de Orocó, 22/11/2009 – 17h00

Sul: 08º 38' 55” – Oeste: 39º 39' 59” – Altitude: 339 metros

Saí de Santa Maria à 07h00. Adelmir foi me buscar na pousada e ajudou-me no transporte da canoa. Curiosidade: aos domingos a pousada não serve café aos hóspedes! Dizem os proprietários que é o dia de descanso deles! Nunca vi isso!

Combinei com Jacinto, um amigo de Adelmir, para me encontrar próximo às corredeiras. Ontem visitamos o local por estrada, no meio da caatinga. É o Monte Carmelo, local místico onde ocorrem romarias e peregrinações de todo país.

Trata-se de um penhasco de rochas que se projetam sobre o rio, justamente no local das corredeiras. No alto existe um cruzeiro e um santuário, com uma pequena capela de pedras e muitas cruzes marcando o percurso da via sacra, por onde passam os fiéis. A visão é fantástica! O rio faz uma curva de 270º, rodeando o rochedo. Por todo seu leito, dezenas de ilhas compõem um labirinto de passagens, todas elas recobertas de pedras que dificultam a navegação, criando pequenas corredeiras.

problema é o que acontece depois dessas corredeiras, entre as pedras: redemoinhos, que aqui são chamados de “panelas” ou “caldeirões”. Algumas são intensas e ameaçam as embarcações.

Como tudo o que é desconhecido ou misterioso por aqui, esses caldeirões viraram lenda e causaram o desaparecimento de barcos e de seus tripulantes, envoltos em suspense e terror!

Cheguei ao local combinado às 10h30, apesar do vento forte e das ondas que impeliam a canoa para trás. Romper essa ventania exige um esforço muito grande e quase inútil... melhor seria esperar o vento passar e remar com mais eficiência. O problema que a ventania só dá tréguas à noite...

Jacinto levou dois sobrinhos, que conhecem bem o rio e sabem os segredos das passagens pelos panelões. Só que eles não tinham barco e tive que deixá-los levar minha canoa enquanto eu rodeava o rochedo de garupa na moto de Jacinto.

Eles passaram rápido pelas corredeiras e eu perdi a oportunidade de conhecê-las e usufruir da adrenalina da aventura. Mas estou mesmo limitando meus riscos nesse final de viagem para não comprometer a expedição. Talvez um cuidado excessivo...

Segui minha viagem por mais algumas horas e acampei pouco antes de Orocó. Amanhã remarei uns 40 km até Cabrobó.

Nesse trecho são poucos os locais para acampamento e é preciso ficar atento às oportunidades; os aguapés impedem a aproximação das canoas até a margem do rio e, quando isso é possível, o lugar já está ocupado ou existe uma bomba de sucção tirando água do rio para as plantações; às vezes, ainda, a margem é “protegida” por cercas de arame farpado, impedindo a ancoragem dos barcos.

Este local que escolhi é próximo a um sítio e os moradores parecem não ter gostado de minha presença, pois estão fazendo um enorme alvoroço próximo à minha barraca, arrancando mangas.

Legalmente, todo terreno às margens dos rios interestaduais pertencem à União e são (ou deveriam ser) controlados pela Marinha. Mas isso não se aplica ao rio São Francisco, onde as leis não são aplicadas, e não existe nenhuma fiscalização!

Nenhum comentário: