quinta-feira, 8 de julho de 2010

Reavaliação do Projeto, Um novo início se vislumbra, 21/06/2009

Este é o meu momento de reflexão para poder retomar o projeto conforme fora concebido: foco em questões ambientais e sociais, discussão acerca da transposição e seus impactos nas comunidades ribeirinhas, palestras de conscientização nas cidades, coleta de depoimentos da população...


Meus propósitos não mudaram; mas, com essa interrupção, pude reavaliar meus objetivos e retomar aspectos que já pretendia abandonar em função das dificuldades encontradas. Um dos lugares que já estava por desistir e agora retorna com toda intensidade é o Parque Nacional Cavernas de Peruaçu. As cavernas sempre exerceram grande fascínio sobre mim.


Ao passar pela região de Bambuí, pude observar as fantásticas estruturas geológicas do carste. Depois, devido aos atrasos no meu cronograma, já pensava em desistir, deixar de lado essa possibilidade de conhecer essa região onde, certamente, deverei permanecer por alguns dias.


Por outro lado, intenções de percorrer a qualquer custo regiões de alto risco, como a represa de Sobradinho, deixaram de ter interesse para mim. Aceitar uma “carona” em uma “chata” não significa me afastar de meus princípios, ou ferir regras que eu mesmo estabelecera para a expedição.

Talvez não passe por tantas cidades como pretendia, mas ficarei em cada uma das que visitar pelo tempo que for necessário para cumprir minha missão. Essa passa a ser minha principal regra. Pois de nada adianta cumprir prazos se não obtiver conhecimento ou não deixar minha mensagem.

Devo rever alguns locais já percorridos, como as corredeiras de Vargem Bonita, para poder registrar as imagens incríveis de um barco descendo o rio quase sem controle, desviando como pode das pedras e obstáculos de um rio jovem e indomado. Só que farei esses trechos utilizando o equipamento adequado: um caiaque em lugar de uma canoa canadense!

Quem sabe, até mesmo a ideia do Protocolo do São Francisco possa ser ressuscitada! Gostaria muito de poder trazer um documento de compromisso de políticos, empresários, estudantes e personalidades locais em defesa do São Francisco... ainda tenho esperança de contribuir, com esse documento, para a transformação das mentalidades nacionais...

Ainda que não obtenha os apoios e patrocínios pretendidos, voltarei ao rio e à minha expedição. Esse compromisso é inarredável e faz parte de meu projeto de vida, ao qual tenho me dedicado em período integral por tanto tempo. Há seis meses, quando surgiu essa ideia  talvez minhas convicções não fossem tão sólidas. No entanto, estar no rio, conhecer esse universo diferente e fantástico, transformaram meus propósitos em objetivos de vida e a eles dedicarei meu tempo.

Finalmente, repensar um projeto implica em mudanças... estou preparado para mudar meus conceitos, assim como mudei minha postura diante desse rio mágico! Sou outra pessoa depois dessa convivência diuturna com o Velho Chico! Não poderia ser diferente!


Os textos a seguir são o resultado de três meses de reflexões e da própria angústia da espera pelo retorno ao rio. Criações mentais que retratam meu compromisso com o rio e sua gente, uma busca incessante pelo patrocínio e apoio, mas principalmente pela compreensão de que, sem cooperação, sem conscientização, não haverá projeto de revitalização que traga de volta a beleza do rio.

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