quinta-feira, 8 de julho de 2010

Reflexões...

O que nos torna expedicionários? A capacidade de auto-motivação? O fato de sermos destemidos? A superação de nossos limites diante das adversidades? O descaso pela freqüente exposição aos riscos e perigos? Ou a convicção inabalável em nossos objetivos?

Apesar da importância de todas essas características somadas, somos humanos e temos necessidade, ainda, de reconhecimento de nossos feitos pela sociedade. Não nos arriscamos por essa fama, mas precisamos dela como alimento para nos sentirmos úteis e mesmo integrados, ainda que por um liame sutil, às pessoas a quem queremos bem... essa é uma constatação difícil de ser aceita, pois temos em nossas mentes a convicção de nossa independência desse mundo, uma sensação de auto-suficiência, que não é verdadeira, mas nos preserva a vida.

Pois, rompido esse vínculo, já não haveria mais nenhum apego ao mundo material, e estaríamos sujeitos à perigosa emoção da aventura plena, sem limites, ao domínio da adrenalina sobre a razão...

Talvez, um dia, eu parta para uma expedição extrema, isolado de todos, a centenas de milhas de qualquer sinal de civilização, a experimentar essa sensação do imponderável, da liberdade plena! Não quero envelhecer... tenho medo de chegar à velhice desprovido de minhas capacidades, dependente da compaixão, um peso incômodo, um fardo inútil, uma vez que impotente para corresponder à minha parcela de contribuição ao mundo. Sou, enquanto posso ser útil, ainda que minha concepção de utilidade não seja a mesma desse mundo capitalista e consumista.

Mas, ainda assim, tenho consciência de meu valor, mesmo que seja para contrapor meus pensamentos a essa visão fútil do mundo, que só existe porque produz o excesso e consome demais, que nem ao menos tem consciência de seu peso insustentável para a Natureza.

Por isso, ainda sou útil e espero ser ouvido e compreendido, mesmo que por uma minoria quase irrelevante... se meu exemplo for um incômodo por refletir a verdade, então terá valido a pena, mesmo que eu seja esquecido quando minhas cinzas se espalharem pelos rios e se reintegrarem ao amálgama da Vida!

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