quinta-feira, 8 de julho de 2010

São Francisco, 01/10/2009 – 18h40

Sul: 15º 58.77' – Oeste: 45º 01.961' – Altitude: 459 metros

Saí de São Romão às 07h30, com duas novidades: instalei o guarda-sol e comprei um galão térmico, além da barraca que já havia acrescentado às tralhas em Ibiaí. Tive água gelada durante todo percurso, ou melhor: “sombra e água fresca!”

Hoje avistei muitas tartarugas pequenas, mas elas saltam para a água logo que sentem a vibração dos movimentos da canoa sobre a superfície da água. Vi também uma família de bugios; seu pelo é negro e brilhante, animais bonitos e ariscos, com seu inconfundível ruído grave e gutural, que parece um mantra proferido por monges no interior dos templos budistas: “Ommmmmmmmmm!” Muitos pássaros de diversas espécies, inclusive o cardeal, com seu bico de lacre; mas o que me chamou a atenção desde cedo foi o comportamento das garças e biguás. Estavam agitados, grasnavam muito e, pela primeira vez, pude presenciar um bando deles bem de perto, em uma ilha, provavelmente no que seria uma “dança de acasalamento”!

Eu me mantive a uma distância “respeitosa”, tentando interferir ao mínimo nesse ritual; mas, ao final da tarde, o rio fazia uma grande curva à direita, onde havia uma praia de areia e dezenas desses pássaros e eu não me contive... dessa vez filmei a cena pois era inevitável passar bem perto deles! Fantástico! Eram, em sua maioria, biguás ou marrecas, e poucas garças.

Decidi acampar ali mesmo, pois eles saíram em revoada quando me aproximei. O lugar era belíssimo, estava ameaçando chuva, e parei de remar às 16 horas, quando montei meu acampamento e presenciei um dos mais belos pores-do-sol de minha vida! A profusão de cores provocada pelas densas nuvens de chuva, o cenário magnífico e a areia clara e fina, tudo contribuiu para meu deleite; para completar a cena, um carro de boi apareceu na ilha, puxado por dois touros belíssimos! Eles transportavam areia!


Tiravam areia dessa praia magnífica, mas de que adianta falar de preservação ambiental para pessoas que lutam pela própria sobrevivência? Aqui parece que o tempo parou há mais de 50 anos; o que víamos na nossa infância na pequenina cidade de Dracena, na divisa com o Mato Grosso do Sul, o que minha avó nos contava em suas histórias de infância, estavam presentes agora, à minha frente, em detalhes...

A cidade de São Romão, que acabo de deixar, é um exemplo da falta de oportunidades. As casas decadentes, que ninguém reforma ou conserta, grande parte em ruínas, com portas, janelas e paredes caindo, parte do telhado faltando, e famílias morando “dentro”! Os restaurantes estão vazios, a maioria fechados, e os poucos que se abrem tem quase nada a oferecer. É um processo entrópico!


Por que uma cidade como Iguatama, com seus pouco mais de 7.000 habitantes, é saudável e próspera, enquanto estas (São Romão, Ibiaí) com população bem maior estão decadentes? Por que estas não geram novos empregos, novos negócios? Existe uma boa padaria em São Romão, mas é apenas a exceção que confirma a lastimável situação do município!

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