quinta-feira, 8 de julho de 2010

A SERRA DA CANASTRA

Ainda estou vinculado demais à civilização que acabo de deixar.
Mesmo assim, muitas surpresas estariam reservadas 

para mim nesses próximos poucos dias.

Ribeirão Preto, 29 de maio de 2009

Esperávamos por Paulo e Heitor para o almoço, pois eu pretendia chegar a São Roque de Minas em tempo de descansar e sair para a trilha logo pela manhã de sábado. No entanto, já passava das seis horas da tarde quando eles me ligaram, dizendo que haviam chegado a Ribeirão Preto, mas não conseguiam encontrar a minha casa. Fomos buscá-los no estacionamento do Shopping... e, para minha surpresa, o jeep que o Paulo acabara de comprar, estava coberto de adesivos de minha expedição!

Como se não bastasse, eles fizeram camisetas e bonés, com o logotipo da expedição, que o Heitor havia criado especialmente para mim. Levei-os para casa ainda sob o impacto da emoção daquela surpresa fantástica, um presente que só mesmo meus amigos de verdade poderiam me oferecer.

Eu havia deixado a canoa na academia de um amigo. Eu a trouxera de Santana do Parnaíba, nas proximidades de São Paulo, onde fora construída. No percurso, fiquei um dia em uma represa de Atibaia, com o “Tonico” (Antônio Carlos Orse), meu amigo e construtor da embarcação, onde fizemos vários treinamentos de manobras, recordando os conceitos que aprendi com o “Tonhão” (Antônio Calvo), durante os quatro últimos dias do curso de “Formação de Educadores ao Ar Livre”, da Outward Bound Brasil. Essa era toda experiência que eu adquirira em cinco dias de treinamento de canoas a remo, exceto os agradáveis passeios que fazia com meu pai, nos anos 1960, no rio Pardo, próximo a Ribeirão Preto.

Seguimos para a Serra da Canastra depois de colocar toda minha bagagem e a canoa (na capota) no jeep. Já era bem tarde quando saímos. A viagem transcorreu sem problemas. Ao entrar em São Roque de Minas, um veículo 4x4 nos dava sinais de luz, insistentemente. Reduzimos a marcha, deixando-o se aproximar, e ele nos alcançou. Qual não foi nossa surpresa quando, ao nosso lado, estava minha filha Mônica, vindo de São Paulo. Mesmo se tivéssemos combinado, não nos encontraríamos nesse local com tanta precisão!

Registramos nossa chegada na pousada e logo fomos dormir, pois no dia seguinte daríamos início à trilha, desde a nascente até a parte baixa da Casca Danta, onde pernoitaríamos, de sábado para domingo, no alojamento do Parque, cedido pelo Ibama depois de muita negociação e desgaste... como é difícil lidar com o Poder Público!

Essa trilha percorre cerca de 17 quilômetros no trecho alto da serra e mais 3 quilômetros na descida até a base da cachoeira. Trata-se de uma trilha fácil, com pouca declividade e nenhum obstáculo significativo. O grande problema é o matagal e nosso desconhecimento do percurso, o que nos induziu, às vezes, à escolha dos piores caminhos para ultrapassar os obstáculos, chegando a inviabilizar a chegada na base no mesmo dia.

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