quinta-feira, 8 de julho de 2010

Sucessão de portagens, 6 de junho de 2009 – 19h10

Quando deixei meu acampamento pela manhã, completando mais uma portagem em corredeiras, senti certa nostalgia... algo me dizia que estava transpondo um limite entre áreas totalmente selvagens e um iminente contato com a civilização.

De fato, pouco antes fora obrigado a fazer nova portagem e os sinais evidentes das intervenções humanas começavam por um canal construído ao longo da margem direita do rio, com o propósito aparente de extrair ouro ou diamante. Mas não era simples garimpo manual, pois fora construído com extensas lajes de concreto. Está abandonado, mas deve ter sido usado durante anos, extraindo minérios para exploradores sem consciência ambiental.

Logo adiante, vestígios mais contemporâneos: garrafas pet, latas, embalagens de margarina, todo tipo de lixo humano espalhado por uma área belíssima, emporcalhada pelo descaso com a Natureza... Como pode? Quem seria assim tão estúpido? Por que tamanho descaso?

Passando esse obstáculo pude desenvolver o remo por duas horas até encontrar uma ponte, sob a qual pescavam um garoto, um rapaz e um senhor de minha idade. Conversei com eles e me disseram que havia uma corredeira logo à frente, onde deveria fazer portagem.

Pouco depois da ponte, cheguei ao local. Já perdi a conta de quantas vezes tive que descarregar o barco, transportá-lo (junto com a carga), em condições sempre complicadas, e rearranjar toda bagagem novamente. É meio desanimador... mas faz parte da aventura!

Estou desenvolvendo minhas habilidades para isso também; nesta última portagem fiz tudo em uma hora e meia. O que dá mais trabalho são as amarrações dos sacos estanques.

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