quinta-feira, 8 de julho de 2010

TRAVESSIA DO CANYON

Visita à barragem de Paulo Afonso IV

Na divisa de Alagoas e Bahia, na entrada de Paulo Afonso, existe uma grande ponte de ferro, Dom Pedro I, de oitenta metros de altura, sobre o canyon do São Francisco, um pouco antes da barragem.

É uma visão magnífica de suas águas cor de esmeralda, fluindo pela base das paredes de rocha, passando sob essa ponte belíssima!

Saí do hotel às 14h00 e caminhei até a metade da ponte sobre a prainha, cujas amuradas estão cobertas de azaléias e de outro arbusto de flores amarelas.

Nesse ponto, um motoqueiro parou e me ofereceu carona até o outro lado da ponte; aceitei, pois o sol estava muito quente e não passava nenhum ônibus.

Ele me disse que eu não devia caminhar a pé pela cidade, pois havia muitos assaltantes e oportunistas. Deixou-me em um ponto de ônibus e sugeriu que eu conseguisse um mototáxi se quisesse chegar até a barragem, pois era muito distante daquele ponto.

Duas mulheres com uma criança de colo também me disseram que tomasse cuidado com minha máquina fotográfica. Diante dessas referências, parei um mototáxi que me levou até a ponte de ferro, mas não quis me esperar por ter medo de assalto. Deixou-me o telefone da central de mototáxi para pedir o retorno que ele me buscaria quando terminasse minhas fotos.

Desci uma longa escada de cimento até a base do canyon sob a belíssima visão da ponte; lá embaixo, um homem nadava perto das pedras, despreocupado. Ao me ver não se assustou; disse que eu poderia caminhar pelas pedras, ao longo do rio, até bem próximo da barragem. Foi o que eu fiz, e não me arrependi.

Consegui belas fotos e admirei cada centímetro daquela magnífica obra da Natureza, em contraste com a obra dos homens, uma muralha gigante e fantástica! Não há como não ficar extasiado com aquele espetáculo e imaginar os enormes esforços para a construção desse monumento de concreto, contornando as rochas.

Percebi, então, que o canyon é navegável desde o começo, mas não existe um local apropriado para descer a canoa até a base das paredes de pedra. Precisarei me informar onde existiria um local de mais fácil acesso, assim como um transporte adequado.

Quando subia o barranco, de volta à estrada, encontrei com Alzeni e Paulo, que se dirigiam a Delmiro Gouveia e me convidaram para acompanhá-los. Como não fui convidado antes, recusei a oferta. Depois eu me arrependi, pois lá fica a mais antiga hidrelétrica do país, Angiquinho, que hoje se transformou em museu.

Delmiro Gouveia foi um grande empreendedor, bem à frente de seu tempo, e deixou muitas obras inovadoras, como essa hidrelétrica, fábrica de tecidos e outras.

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