quinta-feira, 8 de julho de 2010

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O Retorno

Voltar de uma expedição tão longa, depois de ter dedicado um ano de minha vida à causa preservacionista não foi fácil... minha vida ficou condicionada aos movimentos do rio, ao seu ritmo e pulsação, aos costumes e hábitos desse povo que se tornou o meu povo por todo esse tempo, aos pássaros e outros animais que me fizeram companhia pelos intermináveis caminhos do rio.

De repente, acordamos e nos damos conta de que acabou... um vazio profundo toma conta de nosso ser e entala na garganta um sentimento de perda, como se não tivéssemos para onde ir. A saudade da família se confunde com a saudade do rio, daquela rotina que criamos para sobreviver, dos amigos...

Por algum tempo estamos em território alheio, no estrangeiro de nosso eu mais profundo... as cenas do rio ainda passam pela nossa mente, como em um sonho... onde está minha canoa? Para onde irei hoje? Estamos sem destino...

Eu tinha receio desse dia, pois nunca nos preparamos para o fim; terminar um ciclo é como matar um sentimento; mais ainda, é como perder a própria vida! Sentei-me nas areias daquele deserto d'alma e me contemplei mirando o Infinito.

Meu horizonte se despiu do entardecer... as cores esmaeceram no céu de minh'alma e deixaram um vazio intransponível... estou só com minhas indagações! Quem me socorrerá agora?

No rio estava protegido pelo meu barco, pelas margens, pelos pássaros... mas agora não tenho a quem recorrer e isso me deixa triste, contemplativo e sem um propósito definido, senão o de voltar para casa, contar minhas histórias, escrever, recordar.

Mas recordar não é viver! É apenas assistir, passivamente, às cenas do passado, observar a vida passada, os acontecimentos mais expressivos que transformaram nosso futuro... acabou!
Mesmo assim, restaram meus sonhos, minhas verdades, meu novo ser com o qual ainda não me acostumei completamente... e isso me consola e me reconduz à consciência...

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